sexta-feira, 25 de julho de 2014

"Bom dia, Cavalo!"


O que um professor não pode declarar em público:
- Há muitos alunos sem educação, sem noção do que é estar em sala de aula; o pior, esse índice parece aumentar.
Descontextualizando o rapper Criolo, "eles não são maus, só estão perdidos".
- Nós (professores) perdemos um tempo enorme ensinando conteúdos fora de contexto e sem real relevância até para nós mesmos, pois apesar de bacharéis e licenciados em educação, somos tratados e nos deixamos tratar como se não tivéssemos maioridade intelectual e competência profissional para arbritar sobre nossa prática docente. A educação é um produto: parecer é mais importante do que ser.
Descontextualizando Camões, "um fraco rei faz fraca a forte gente".
- Muitos pais preferem pagar para que a escola faça a parte que lhes cabe. Superprotegem e infantilizam seus filhos ou os tornam órfãos de sua atenção e carinho. Eis futuros inseguros de um lado e rebeldes e inconformados de outro.
Descontextualizando a sabedoria popular, "só sendo pai e mãe para saber a dificuldade de educar um filho".
- A escola privada é cada vez mais refém de seus "clientes", que algumas vezes tratam a coordenação como SAC, o professor como empregado particular e a escola como clube para o filho.
Reza o ditado, "o cliente sempre tem a razão".
- A escola privada costuma sofrer com a Síndrome de Estocolmo, identifica-se com o mercado, seu sequestrador, e dá-lhe direitos que por lógica não lhe caberia.
Descontextualizando Darwin, "somente os mais adaptados sobreviverão".
Quem paga o pato desse pacto mercantil?
Todos, cada um a sua maneira.
Uma pena não poder declarar isso em público... Há coisas que não se diz a bem da ordem e da harmonia social.
- Quem muito fala, dá bom dia a cavalo...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A pedra e a cadeira


Certa vez, na Idade Média, uma cadeira (feita com a mais nobre madeira da região) olhou para baixo e viu uma pedra suja e grande. Decidida a importuná-la, começou a dizer:

_ Ei, pedra, por que está aí no meio do caminho, impedindo a passagem de todos e estragando a paisagem?

_ Me perdoe, mas estou aqui porque me puseram, não posso sair a menos que alguém me tire – tentou responder gentilmente a pedra.

_ E pelo jeito não faz nada de útil, só sabe ficar parada. Já eu sirvo de assento para qualquer um descansar e balanço para frente e para trás.

Muitos dias se passaram, e a cadeira intimidava cada vez mais a pedra. Até que certo dia foi declarada a construção de um castelo para um certo rei, e a pedra, por ser grande, foi vista como um ótimo material para tal construção.
Enquanto o tempo passava e a cadeira apodrecia, a pedra ajudava a realçar a beleza do castelo, visto como um monumento histórico até os dias de hoje.

Ananda Marquezzi (15 anos)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Outra realidade

O lugar estava escuro, não pude ver onde estava, era sujo, o chão áspero, sacos de lixo encostados nos cantos faziam meus olhos lacrimejarem, muros altos me cercavam, com algumas janelas. Pude ver pessoas me encarando antipaticamente, mas sem expressão, não parecia novidade para eles verem alguém no mesmo estado em que eu me encontrava. Um desconforto me cercava, com as pernas doloridas, a boca suja e as roupas desarrumadas, tentei me levantar, meus olhos estavam embaçados; em minha cabeça pareciam ecoar marteladas, fazendo minha visão ficar distorcida. Me apoiei num dos lados do muro, andei e andei até que consegui enxergar uma luminosidade no fim daquele beco, a segui. Cheguei próximo à luz, finalmente saía daquela escuridão... as ruas vazias me tranquilizavam; olhei para cima, uma pequena quantidade de estrelas deixava o lugar mais bonito - a lua que iluminava quase a cidade inteira me cegava com sua beleza.
Decidi chamar um táxi, coloquei a mão no bolso e percebi que estava sem nada, então resolvi andar pelo longo caminho até minha casa. As ruas vazias pouco iluminadas me deixavam mais tonta; lembrei-me de uma amiga que morava por ali, decidi parar em sua casa. Estava quase chegando, apenas alguns carros passavam naquelas ruas vazias, todas as luzes das casas estavam apagadas, somente os postes iluminavam as ruas. Então senti algo estranho, como um pressentimento diferente, me virei e vi uma figura escura que se escondia atrás de um poste. Por isso não consegui reconhecer seu rosto.
O homem me apontou algo fazendo um barulho que ecoou no bairro inteiro; caí no chão... minha visão se distorcia, algo em meu peito estava molhado, a dor era intensa, mas eu não conseguia gritar, simplesmente fiquei no chão, fechando os olhos; minha audição ia se desfazendo aos poucos, eu já não ligava mais para a respiração, me senti deixando meu corpo que antes era um recipiente vazio, mas algo me puxou de volta... e, quando abri meus olhos novamente, eu estava em um lugar diferente, minha cabeça descansava em um macio travesseiro, no mesmo quarto de sempre, branco com um armário de madeira e meu computador, foi apenas um sonho, pensava, ou apenas uma realidade diferente...

Jéssica Kazuma (15 anos)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Poema Sinestésico

Quando tudo parece perdido
Lembro-me da tua doce voz
E que quando estou contigo
Nada passa veloz

Em teus lindos olhos
Vejo a paisagem sonora
Fico te olhando por um tempo
Que até me esqueço da hora

Em todos os momentos
Desejo-te aqui
Tocar teu colorido rosto
E nunca te deixar ir

Isabelle Yumi Hassimuto (15 anos)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

É assim que começa meu dia


Terra. Planeta intrigante, não é? Cheio de gente nascendo toda santa hora. Porém, no meio de tanta gente, existem algumas em minha miserável e pequena vida, que fazem de mim uma pessoa melhor. Meu namorado, "meu cachorro", minha mãe e meu pai.
Isso mesmo! Não se assuste, está tudo bem. Sabe, não sou uma pessoa solitária. Tenho absolutamente tudo de que preciso para ser feliz. Avós? Não tive a oportunidade de conhecê-los.
Enfim, vim apenas falar de uma pessoa que, sem mais nem menos, me mudou em cerca de 1 minuto! Estou aqui para falar do meu namorado, Flavio. Ele faz parte da minha vida há um ano e um mês. E neste um ano e um mês, posso lhe afirmar: é o melhor tempo, melhor época, é a melhor parte da minha vida. Se Deus quiser, ficaremos juntos o resto de nossas vidas.
Bem, vamos começar. Flavio e eu estudamos de manhã em colégios diferentes, portanto só nos vemos após o meio-dia.
Ao acordar, eu abro meus olhos e ele me vêm à cabeça. É o meu primeiro sorriso do dia. Eu ligo para ele, o acordo, e vamos para a escola. Depois do colégio, vamos correndo embora para falar um com o outro.
Almoçamos tranquilos e ligamos os computadores. Internet banda larga facilita. Então, logo ao ligar, nos conectamos ao “SKYPE”. “MSN”? Não, obrigada. “ORKUT”, “FACEBOOK”, “TUMBLR”? Ah, não! Somente o “SKYPE”, obrigada.
Falamos um “oi meu amor”, “tudo bem?”. E logo aparece - “Chamada de Vídeo – Aceitar – Rejeitar” - Óbvio, “aceitar”. Demora cerca de 2 segundos para carregar as câmeras. Logo eu vejo um lindo sorriso que me encanta, me acalma. Um sinal de que ele está bem. Vem acompanhado de um “Eu te Amo”.
Aí está. Deslumbrante, maravilhoso. Um sorriso cheio de amor, alegria.
Aí está. Meu dia começou. A partir de um sorriso dele. Um sorriso de Flavio. Um sorriso dele. Sempre dele. Sempre assim.
É deste jeito. É assim que começa meu dia.
Eu te amo, Flavio!

Maria Emilia (15 anos)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

À Coordenação

O POETA COMPADECE-SE DA COORDENADORA OBRIGADA A LIDAR COM SITUAÇÕES DELICADAS

Tristes sucessos, casos lastimosos
Desgraças nunca vistas, nem faladas
São, Coordenação, só declaradas
Aos vossos ouvidos tão atenciosos

De nossa parte, somos desejosos
De entender as tragédias já passadas
Evitando novas - anunciadas
Segundo percebemos, desgostosos

Ausentes pais, cuja fortuna
Educa, compra e até arranca
A culpa dos filhos a olhos vistos

Cedem moedas, uma a uma,
Pensando que se educa, com fiança,
Colham agora os benefícios!

Surreal

Como podes ser tão perfeito?
És algum tipo de deus
Que veio do olimpo
Para acabar com sofrimentos meus?

Quando sinto teu toque,
Esqueço-me de respirar
Agora não é mais só vontade
É força que me obriga a te olhar.

És o único que me deixa tonta
Só por sentir teu cheiro...
És o único que me deixa corada
Só por sentir teu toque meigo.

Quando acordo penso em ti.
Quando durmo sonho contigo.
Eu não sou nada...
Então fiques comigo!

Agora que sei que me amas,
Nada mais importa. Está feito!
Mas ainda me pergunto...
Como podes ser tão perfeito?


Aline Gabriela Souza (16 anos)